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terça-feira, 6 de agosto de 2013

UMA MENINA, UM MENINO, PAPEL DE CARTA, PAPEL DE EMBRULHO COM DESCRITORES



PARTE 1: O MENINO


Era uma vez um menino que tinha duas irmãs. Elas dormiam num quarto e ele, noutro. Essas crianças ficavam muito em casa e quase não tinham amigos. Só na escola. Então, as meninas se trancavam no quarto delas para brincar de casinha. Uma era a mãe e a outra, a filha.
De vez em quando, elas convidavam o irmão para ser o filho ou o marido. Mas ele não gostava muito. As irmãs, que eram mais velhas do que ele, obrigavam o marido ou o filho de mentira a comer umas comidinhas horríveis, que preparavam de verdade com coisas que é melhor você nem saber o que eram, para não ficar com nojo. E só as meninas mandavam nas brincadeiras. Quando ele dava uma idéia do tipo “Tá bom que eu aí chegava e o marido jogava cartas com a esposa e a filha?”, elas não gostavam. Uma olhava para a outra e faziam caretas. Ou tinham daqueles ataques de riso sem fim que só as meninas têm.
Então, o menino passava mais tempo no seu quarto, sozinho. E inventava brincadeiras para ele e... ele mesmo. O menino fazia cabaninha com a colcha da cama. Construía cidades com todos os seus brinquedos misturados. Fazia um monte de barquinhos de papel que cruzavam os mares do chão do quarto. E criava um tantão de coisas.
Mas aí, num Natal desses, o menino inventou uma brincadeira nova. Ele embrulhou uma porção de presentes em volta da cama. Apagou a luz. Fingiu que dormiu um pouco. Aí, ele já tinha acordado. Acendeu a luz, porque já era de manhã. E... uau! Quantos presentes o Papai Noel tinha deixado para ele! Fazia tempo que não acreditava mais no bom velhinho, mas nesta brincadeira, ele fingia que sim.
Aí, ele embrulhou tudo de novo. Desembrulhou. E embrulhou e desembrulhou. Vivia juntando papel de embrulho. De revista. Das compras da mãe dele. Caixas de todos os tamanhos. Fitas e barbantes. Enfeites. Ele só pensava nisso.

PARTE 2: A MENINA

A segunda parte desta história é uma menina que não tinha irmãos. Nem na escola fazia amigos direito. É que ela não gostava muito de falar. De ouvir os outros, até que gostava. Mas falar, não. Então, as outras pessoas eram amigas dela. Mas ela mesma era meio sozinha. Meio completamente sozinha. Mas, todos os dias, essa menina recebia muitas cartas. Que ela mesma escrevia.
No começo, ela escrevia todas as cartas e as colocava em envelopes, que ela própria entregava. Para ela mesma. Depois, a menina começou a usar um truque. Preparava as cartas, com envelopes de outras cartas, recebidas pelos pais, já com selos carimbados e tudo o mais e as colocava na caixa de correspondência que tinha na entrada do prédio onde morava. Esperava um pouco e ia buscar. Então, começou a deixá-las um dia inteiro lá. O porteiro as entregava junto com tudo o que chegava pelo correio para o endereço dela.
Aí, a menina começou a responder as cartas que ela mesma escrevia. Inventou vários personagens que se correspondiam com ela. Cada um tinha uma letra diferente. Um nome diferente. Morava numa cidade diferente. Contava coisas diferentes, sobre assuntos diferentes. Era a Charlotte da Pensilvânia, o doutor Max Wanderlanda da Prússia, o professor Watsuta da Rodésia do Sul e as irmãs Dominique, Martinique e Frederique, que viajavam por toda a Oceania, acompanhando um circo mágico.
Então, um dia a menina escrevia como se fosse a Charlotte. Em outro, como o professor Watsuta e assim por diante. Depois, respondia a todos para que as cartas continuassem chegando. Cada vez mais personagens escreviam, esperando resposta. E ela passava os dias escrevendo. E lendo. E escrevendo.


PARTE 3: A JANELA

Um dia, a menina ficou com a mão doendo de tanto escrever e foi até a janela para olhar um pouco. Taí uma coisa que ela gostava de fazer, além de escrever: olhar. Olhar para a rua, lá embaixo. Para os carros que passavam. Para os passarinhos que voavam de árvore em árvore. Às vezes, passava um avião...
Nas janelas dos prédios em volta, sempre acontecia alguma coisa. Tinha gente cozinhando. Vendo televisão. Passando de uma janela para outra. Escrevendo... Olhando... Embrulhando e desembrulhando pacotes... Embrulhando e desembrulhando pacotes...
O tempo passou e a menina percebeu que tinha ficado a tarde inteira olhando só para uma certa janela e para um certo menino, que embrulhou um monte de pacotes – ela até chegou a pensar que ele iria a muitas festas de aniversário aquela semana – e depois os desembrulhou! Como se fosse Natal!


 PARTE 4: A PRIMEIRA CARTA COM ENDEREÇO

A menina teve uma ideia. Ela contou quantas janelas tinha abaixo da janela do menino e descobriu o andar em que ele morava. Desceu para ver o número do prédio. Como este ficava bem atrás do dela, foi fácil descobrir o nome da rua dele. Ela anotou direitinho o nome que estava na placa. Em seguida, escreveu uma carta para ele. Colocou o endereço e... e... é isso aí: como ela não sabia o nome dele, escreveu “Menino” mesmo. Ela desceu mais uma vez e deixou o envelope na portaria do prédio dele, fingindo que era o carteiro. Na carta estava escrito:


Querido menino,

Escrevo esta carta para contar que sempre vejo você brincando de Natal. Gostei muito da brincadeira. Parabéns! Legal!
Menina do outro lado do quintal


Eu sei que prédio não tem quintal e que ela sabia o nome dela, mas foi ela que escreveu a carta, não eu. Então é isso aí. Ela escreveu que era a menina do outro lado do quintal porque, entre a janela dela e a dele, tinha um playground. Ela não colocou o nome dela porque não quis. Pronto.


PARTE 5: DUAS JANELAS

A quinta parte começa com a menina olhando de novo pela janela. Esperando o menino receber a carta. Ela aguardou muito, porque demorou para isso acontecer. O porteiro do prédio do menino só foi achar a carta à tarde, junto com muitas outras. Levou um tempão para separar as que iam para um apartamento, para outro, o outro, o outro... aí, ele foi tomar um lanche. Conversar com o porteiro do prédio ao lado. Ao banheiro. À garagem, para ajudar uma moradora que não conseguia fazer o carro pegar. E, enfim, já era quase de noite, o porteiro entregou a carta da menina para o menino.
Era a primeira carta que ele recebia na vida e o menino ficou meio assustado. Mas leu. Foi até a janela do seu quarto para tentar descobriu quem a tinha mandado.
E descobriu, porque ela ainda estava lá na janela dela. Eles ficaram assim um tempão: um olhando para o outro e o outro olhando para o um. O menino pensou em dar um tchau para a menina, mas ficou com vergonha. E não iria adiantar mesmo, porque a menina ficaria com vergonha de responder.
Como eu já disse, eles ficaram um tempão assim se olhando. Aí chegou a hora de tomar banho, de jantar e de dormir. Aqui termina a quinta parte da história, que era para ser curta se o porteiro não tivesse levado tanto tempo para entregar a carta.

(Fonte: SOUZA, Flavio. Um menino, uma menina, papel de carta, papel de embrulho. São Paulo, editora Scipione, 2003. Adaptação)
QUESTÃO 1 (Descritor: estabelecer uma comparação entre as personagens do texto.)
Assunto: Interpretação
Nessa história, há duas personagens principais. Escreva duas semelhanças e duas diferenças entre essas personagens.
QUESTÃO 2 (Descritor: analisar afirmativas a partir das informações implícitas e explícitas do texto.)
Assunto: Interpretação
O menino tinha duas irmãs, mas não gostava de brincar com elas. Por que ele preferia brincar sozinho?
Marque as alternativas corretas.

a) O menino era obrigado a ser a mãe ou a filha e ele não queria fingir que era mulher.
b) O menino não gostava de brincar de casinha.
c) As meninas não aceitavam as ideias que ele dava.
d) As irmãs choravam à toa.

QUESTÃO 3 (Descritor: localizar informações explícitas no texto.)
Assunto: Interpretação
O menino inventou uma brincadeira nova no Natal.
a) Antes de inventar uma nova brincadeira, como o menino se divertia? Dê três exemplos. 
b) Como o menino conseguia o material necessário para a brincadeira nova que ele criou no Natal?

QUESTÃO 4 (Descritor: localizar informações explícitas no texto.) 
Assunto: Interpretação
A menina brincava de escrever cartas.
a) Por que a menina passava os dias escrevendo e lendo cartas?
b) O que ela fazia para que as cartas parecessem ter sido realmente escritas e enviadas por outras pessoas? Cite duas ações da menina.
c) Além de escrever cartas, o que mais a menina gostava de fazer? 

QUESTÃO 5 (Descritor: localizar informações explícitas do texto e fazer inferências a partir delas.)

Assunto: Interpretação
A menina resolveu escrever para o menino.
 a) O que a menina precisou fazer para descobrir o endereço do menino?
 b) Em que essa carta era diferente das outras que ela já tinha escrito?
c) Como o menino reagiu ao receber a carta? Por que ele reagiu dessa forma?

QUESTÃO 6 (Descritor: analisar afirmativas a partir das informações implícitas e explícitas do texto.)

Assunto: Interpretação
 Marque as afirmativas verdadeiras:
a) A menina tinha muitas amigas na escola.
b) O menino recebeu a carta da menina no dia seguinte em que ela a enviou.
c) As duas crianças moravam na mesma rua.
d) A menina não quis contar o seu nome na carta.

QUESTÃO7 (Descritor: extrapolar idéias do texto a partir de informações do próprio texto.) 
Assunto: Interpretação 
Depois que os dois personagens se conheceram, o que poderia ter mudado neles ou na vida deles? Dê dois exemplos.

QUESTÃO 8(Descritor: estabelecer uma relação entre o texto e a realidade.)
Assunto: Interpretação
Em que a vida dessas personagens pode se parecer com a vida de crianças reais atualmente? Cite uma semelhança.


QUESTÃO 9 (Descritor: identificar a quem se referem os pronomes pessoais.)
Assunto: Gramática

Ela aguardou muito, porque demorou para isso acontecer.
Eles ficaram assim um tempão: um olhando para o outro e o outro olhando para o um.
...aí, ele foi tomar um lanche.

a) A quem as palavras destacadas se referem?
b) A que classe de palavras pertencem as palavras destacadas?


Assunto: Produção de texto

10. Observe bem algumas ilustrações que aparecem em outras partes do livro.


 


Escreva uma continuação e um final para essa história, em que apareçam as situações mostradas nas ilustrações e outras que você quiser inventar.


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