O PROCEDIMENTO DAS "CASINHAS" Metodologia desenvolvida pelo Projeto Alfaletrar. Como trabalhar no blog.



O PROCEDIMENTO DAS "CASINHAS" (não é um método de alfabetização) Metodologia desenvolvida pelo Projeto Alfaletrar – Núcleo de Alfabetização e Letramento Secretaria Municipal de Educação de Lagoa Santa (Caso reproduza este conteúdo, favor dar os créditos ao projeto.)
 Coordenadora: Magda Soares.

A Atividade das Casinhas é estratégia que contribui para que a criança construa a compreensão do sistema de escrita. O procedimento colabora para a identificação dos fonemas e suas respectivas relações com as letras.


OBJETIVO
Orientar crianças que tenham atingido bom nível de consciência fonológica e estejam, pelo menos, no nível silábico a identificar os fonemas e a relação deles com as letras, pelo confronto horizontal e vertical de sílabas.


ETAPAS DO PROCESSO
1. Seleção de palavras As atividades para a aprendizagem explícita e sistematizada dos sistemas alfabético e ortográfico devem ser decorrentes de atividades de LETRAMENTO e relacionadas com elas: após a leitura de texto – história, poema, texto informativo, etc. – ou a contação de história, seguida de atividades de vocabulário e de compreensão, selecionar uma ou mais palavras do texto ou da história, pelos critérios de padrão silábico e relações fonema-grafema, de acordo com o nível da turma. Palavras podem surgir também a partir de interesses das crianças, de acontecimentos do momento, de projetos, etc. – o importante é que estejam sempre contextualizadas. É preciso selecionar palavras considerando também a necessidade de ir progressivamente preenchendo as “casinhas”. As palavras selecionadas devem ser escritas em cartão e ficar permanentemente expostas no Quadro de Palavras ou abaixo da casinha que receberá uma de suas sílabas (ver item 4 adiante).


2. Desenvolvimento de atividades de divisão da palavra em sílabas
 Primeiro, oralmente, por meio de jogos (marcar as sílabas da palavra com palmas ou outro movimento).

 Em seguida, na escrita (atividades como: mostrar um cartão com a palavra escrita e cortar as sílabas, em seguida distribuir cartões com a palavra para que as crianças façam o mesmo; escrever a palavra no quadro de giz, primeiro sem divisão silábica, em seguida dividindo-a em sílabas, etc.).

3. Desenvolvimento de atividades com sílaba(s) da palavra
 Palavras que comecem ou terminem com a sílaba, palavras em que a sílaba apareça no meio de uma palavra, atividades ou jogos como o bingo de sílabas, etc.

4. Colocação da(s) sílabas na(s) casinha(s)
 São usadas “casinhas” com “andares”, em que as sílabas vão sendo progressivamente colocadas, após estudadas a partir das palavras contextualizadas. As casinhas devem ser expostas na sala de aula, de preferência na altura das crianças, em sequência horizontal, de início sem “moradores” em seus “andares”.

 As casinhas funcionam como uma tabela de dupla entrada: em cada casa, na vertical, ficam as sílabas que começam com a mesma consoante (o mesmo fonema); em cada andar, na horizontal, ficam as sílabas com a mesma vogal (o mesmo fonema vocálico).

São 21 casinhas, uma para cada um dos seguintes fonemas/grafemas: B, C, QU, D, F, G, GU, J, L, M, N, P, R, S, T, V, X, Z, LH, NH, CH. A sequência das casinhas não obedece à ordem alfabética; depende da ordem em que palavras e sílabas são estudadas. Por exemplo, as casinhas depois de estudadas as seguintes palavras do texto O outro príncipe sapo são: SAPO, LAGO, PATÉCA.

De início, a professora coloca a(s) sílaba(s) na (s) casinha(s), sem explicações, na ordem em que vão sendo trabalhadas e obedecendo à organização vertical e horizontal (a primeira casinha deve ficar desocupada, para ser ocupada quando forem trabalhadas sílabas do padrão V – ver item 5, adiante); informar às crianças que elas vão acabar descobrindo qual é o segredo da distribuição das sílabas pelas casinhas e pelos andares.

 Assim que as crianças começarem a perceber o critério de distribuição das sílabas pelas casinhas, a professora passa a perguntar em qual casinha elas acham que determinada sílaba deve ser colocada e por quê, sempre incentivando a descobrirem o segredo da arrumação das sílabas nas casinhas e nos andares.

 Após algum tempo, dependendo do ritmo da turma e do número de palavras trabalhadas, as crianças serão capazes de completar uma casinha comparando-a com outras. O princípio alfabético foi compreendido e generalizado para outros fonemas e letras.
Por exemplo, estando as casinhas abaixo entre as já ocupadas por algumas sílabas, pedir às crianças que tentem completar a casinha do PA, comparando-a com a casinha do SA, e depois a casinha do SA comparando-a com a do PA:


As casinhas recebem apenas as sílabas de padrão CV (consoante-vogal, incluídos os grafemas CH, NH e LH, em que duas letras correspondem a um só fonema). Isso porque atividades com a sílaba canônica (CV) são um recurso pedagógico adequado para as etapas iniciais do processo de alfabetização, com o objetivo de orientar a criança para a descoberta fundamental sobre o funcionamento do sistema alfabético: a análise contrastiva entre fonemas, o que fica evidente na comparação dos “andares” na vertical – em cada casinha, a mesma consoante/fonema combinados com diferentes vogais/fonemas, e na horizontal – nas várias casinhas, a mesma vogal/fonema combinados com diferentes consoantes/fonemas.

 Se a sílaba é com a vogal O ou com a vogal E, levar as crianças a observar que o som pode ser aberto ou fechado – a sílaba BO de BOLA é a mesma sílaba BO de BOLO, a sílaba PE de PEDRA é a mesma sílaba PE de PENA.

 Palavras que apresentem sílabas com vogais nasais devem ser apresentadas assim que as crianças revelarem algum domínio das sílabas com vogais orais; embora não se coloquem nas casinhas sílabas em que o M e o N marcam a nasalidade da vogal (-AM- ou -AN-, -OM- ou -ON-, etc.), é este o momento de explicar que, nestes casos, essas consoantes são usadas para indicar que a vogal é
nasal – levar as crianças a confrontar duplas como MANTO e MATO, MUNDO e MUDO. Quando forem trabalhadas as casinhas do M e do N, deve-se reforçar a função de marca da nasalidade dessas duas consoantes, levando as crianças a comparar o papel do N e do M em duplas como JA-NE-LA / JAN-TAR, LI-MA / LIM-PO.

 Quando as casinhas das consoantes C e G começarem a ser ocupadas, os “andares” correspondentes às vogais E e I devem ser “interditados” (ver as casinhas de cor cinza no exemplo do item 4), porque essas consoantes correspondem a fonemas diferentes quando diante dessas vogais; depois de já bem adiantado o processo, esses “andares” podem ser ocupados por CE e CI nos
seguintes momentos:

A. Quando o SE e o SI forem colocados na casa da consoante S, os dois andares da casinha da consoante C são liberados para dar lugar ao CE e ao CI, escritos com cor diferente, para evidenciar a diferença entre os fonemas, sendo então explicado às crianças que, embora SE/SI e CE/CI estejam em casinhas diferentes, têm o mesmo som – levar as crianças a comparar duplas como SEDA e CEDO, SELO e CELA, SINAL e CIPÓ, SILÊNCIO e CIDADE (esclarecer que, nestes casos, é preciso memorizar como se escreve a palavra ou consultar o dicionário, em caso de dúvida).

B. Da mesma forma, quando o JE e o JI forem colocados na casa da consoante J, os dois andares da casinha da consoante G são liberados para dar lugar ao GE e ao GI, escritos com cor diferente, para evidenciar a diferença de fonemas, sendo explicado às crianças que, embora JE/JI e GE/GI estejam em casinhas diferentes, têm o mesmo som – levar as crianças a comparar duplas como GEMA e JEJUM, GELO e JEITO , JIBÓIA e GIRAFA, JIPE e GIGANTE (esclarecer que, nestes casos, é preciso memorizar como se escreve a palavra ou consultar o dicionário, em caso de dúvida).

C. Quando forem escolhidas para análise palavras em que ocorram QU ou GU, seguidos de E ou I (palavras como QUEIJO, QUENTE, QUILO, QUINTAL, que as crianças costumam escrever com C, palavras como GUERRA, GUITARRA, que costumam escrever sem o U), as sílabas serão colocadas em casinhas para esses grafemas (nelas, devem ser interditados os andares correspondentes às letras A, O e U), sendo esta a oportunidade para a professora levar as crianças a contrastar as consoantes C
ou G antes de A, O e U e antes de E e I e aprender o uso de QU e GU antes de E e I.

Quando a casinha da consoante Z começar a ser ocupada, com sílabas de palavras como ZEBRA, GUIZO, BELEZA, deve-se relacioná-la com a casinha da consoante S (esta estará ocupada por sílabas em que o S inicia palavra): explicar às crianças que as sílabas desta casinha mudam de som se mudarem de posição na palavra, ficando com o som das sílabas da casinha da consoante Z; levar as crianças a comparar S no início de palavra com S entre vogais – SALA e CASA, e a comparar S entre vogais com Z – MESA e REZA, CASAR e AZAR (nestes casos, explicar que é preciso memorizar como se escreve a palavra ou consultar o dicionário, em caso de dúvida).

 Quando se trabalhar com S no início de palavra e S entre vogais, deve-se estudar palavras com SS e Ç, levando as crianças a comparar palavras como CASA – MASSA, CAÇA - PASSA, CABEÇA – PRESSA;(nestes casos, explicar que é preciso memorizar como se escreve a palavra ou consultar o dicionário, em caso de dúvida, mas esclarecer que nunca se usa SS no início da palavra e nunca se usa Ç no início da palavra ou antes de E e I).

 Quando for selecionada palavra com R inicial (RATO, RODA) as sílabas são colocadas na casinha da consoante R, mas devem ser selecionadas, na mesma ocasião, palavras com R entre vogais (COROA, CARETA) e RR (CARRO, TERRA), explicando às crianças que R inicial e RR têm o mesmo som, mas nunca se usa RR no início da palavra, e levando-as a identificar a diferença de som entre R inicial / RR e R entre duas vogais.

 A casinha das sílabas com X (XALE, ABACAXI, BRUXO) deve ser trabalhada junto com a casinha das sílabas com CH (CHAVE, CACHORRO, CHUVA) - explicar que é preciso memorizar como se escreve a palavra – com X ou com CH, ou consultar o dicionário;neste nível (1º e 2º anos) não é conveniente trabalhar os diversos fonemas que o X pode representar, apenas pode-se chamar a atenção para esses outros sons do X quando surjam palavras, na leitura ou na escrita das crianças, em que eles apareçam (TÁXI, SEXO).

5. Enriquecimento dos padrões silábicos

À medida que as crianças forem se apropriando do funcionamento do sistema, o processo deve ser enriquecido, escolhendo-se palavras com outros padrões silábicos (para orientação sobre a sequência, ver o documento Padrões Silábicos e Relações
fonema-grafema):

 Com os padrões silábicos CCV (encontros consonantais com o R ou o L como segunda letra: BR, CR, TR, BL, CL, etc.) e CVC (com L, R, S em fim de sílaba, como em SORVETE, MALDADE, LESMA), levando-se as crianças a observar a possibilidade de “invasão” de uma letra na casa de outra (por exemplo, na palavra BLOCO, o L invade a casa do BO, e muda o som da sílaba; na palavra CRAVO, o R invade a casa do CA, e muda o som da sílaba; etc.).

 Com o padrão silábico V (vogal, como em AVIÃO, IGREJA) – neste caso, colocar as vogais na primeira casinha, que foi deixada desocupada, cada vogal no andar que lhe corresponde nas demais casinhas.

 Com o padrão silábico VC (vogal-consoante, como em ESCOLA, ISCA, ARTE, ÓRFÃO, URSO), sempre após o trabalho com o padrão V, e depois de já ocupada a casinha das vogais, levando-se as crianças a observar o acréscimo de um “som”
às vogais, pela invasão de uma letra na casa delas.


6. Das sílabas a novas palavras e a frases

É fundamental que durante todo o processo, desde o seu início, as crianças sejam estimuladas a combinar cada nova sílaba com outras já presentes nas casinhas, descobrindo novas palavras. Frases devem ser construídas com essas novas palavras, inicialmente com a professora atuando como escriba, registrando no quadro de giz as frases sugeridas pelas crianças, chamando a atenção para o espaçamento entre as palavras, uso de pontuação, etc. As crianças podem copiar as frases em seus cadernos e, quando já capazes disso, devem escrever elas mesmas as frases.

7. Apoio nas casinhas em escrita espontânea

Em atividades de escrita espontânea, as casinhas devem funcionar como apoio e referência: quando a criança pergunta sobre a grafia de uma palavra que ainda não sabe escrever, deve-se estimulá-la a procurar a solução entre sílabas já incluídas nas casinhas, ou a comparar casinhas, para descobrir uma sílaba ainda não incluída.



Créditos: http://alfaletrar.org.br

0 Comments:

Postar um comentário

Gostou? Deixe um recadinho.